A importância da Filosofia

Na semana das Olimpíadas Nacionais de Filosofia, o presidente do comité organizador esteve no Almoço TSF para explicar a competição. E falou das vantagens de começar mais cedo a aprender a pensar.

O presidente da Associação Para a Promoção da Filosofia (PROSOFOS) defende a introdução do ensino da Filosofia desde o primeiro ciclo do ensino básico.

Manuel João Pires admite que a solução pode passar pela “presença de um professor de Filosofia, ao lado do professor titular”. O presidente da PROSOFOS contou, no Almoço TSF desta quinta-feira, que “já há experiências neste sentido, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e estão mesmo em expansão”.

Manuel João Pires diz que “a capacidade de abstração é uma facilidade para o estudo da Filosofia – e não é estimulada da forma que deveria ser”.

No Almoço TSF, o presidente da PROSOFOS explicou como funcionam as Olimpíadas Nacionais de Filosofia, que se realizam em Alcácer do Sal, nos dias 13 e 14 de abril.

Para estar nas Olimpíadas Nacionais de Filosofia, é preciso saber pensar e saber expor o pensamento, sobre um tema. Um tópico filosófico tem de ser explicado e justificado.

Na competição, o júri tem de encontrar mérito na argumentação encontrada pelos participantes. O essencial da prova é um ensaio, escrito em três horas, que depois é avaliado por professores ou personalidades de mérito nesta área.

Durante as Olimpíadas Nacionais de Filosofia, há outras atividades, paralelas à competição, como concursos de speed thinking, palestras ou debates.

Os dois melhores são apurados para as Olimpíadas Internacionais da Filosofia, que este ano vão realizar-se em Montenegro.

“Infelizmente não há muitos empregos em Filosofia”

As Olimpíadas motivaram Beatriz Santos a fazer uma escolha: continuar os estudos em Filosofia. Com 21 anos, Beatriz está a tirar o mestrado em Oxford. “As Olimpíadas deram-me confiança nas minhas capacidades”, afirma a jovem estudante.

Beatriz foi medalha de prata nas Olimpíadas Nacionais de Filosofia e repetiu o feito nas Olimpíadas Internacionais. Os bons resultados nos estudos permitiram-lhe conquistar uma bolsa que lhe permite estudar no estrangeiro, onde quer continuar.

As saídas profissionais preocupam os jovens que passaram pela prova e venceram medalhas. “Infelizmente não há muitos empregos em Filosofia, continua a haver muito poucos lugares para professores de Filosofia e não há muitos recursos disponíveis”, diz Beatriz Santos.

João Madeira, também medalha de prata nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia, está a estudar medicina na Universidade Nova de Lisboa, mas não fecha a porta. Está na direção da Associação para Promoção da Filosofia e depois do curso admite fazer formação em bioética ou numa área mais ligada à Filosofia. “Medicina não é a mesma coisa, tem uma parte mais teórica, muito mais de decorar, no entanto há conhecimentos que se mantêm e são importantes, o pensar, o humanismo, a ética, são questões que ficam da filosofia que estas competições me ajudaram a desenvolver”, afirma João Moreira

Também a tirar um curso diferente está Maria João Portijo, de 18 anos. Já venceu uma medalha de ouro e outra de bronze nas Olimpíadas, mas está a estudar Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico. Tal como João, decidiu deixar a Filosofia para mais tarde.

Quanto aos ensaios que lhes valeram prémios, versavam sobre o conhecimento, sobre os direitos dos animais, e sobre a existência de Deus. “Se a existência de um Deus é compatível com a existência de mal no mundo, pessoas que morrem de cancro, ou pessoas inocentes que estão a morrer na Síria”, Beatriz equacionou assim o problema para chegar a uma conclusão: “Se existe realmente mal no mundo, o que é verdade, então, Deus não existe, pelo menos o Deus teísta”.

In, https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/e-se-o-ensino-da-filosofia-comecasse-mais-cedo-9253828.html